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Envelhecimento e a temida perda de capacidade funcional

O Brasil tem apresentado importantes mudanças no perfil demográfico, devido à queda na taxa de mortalidade e à elevação da expectativa de vida. Os avanços das tecnologias da área da saúde, a valorização da Atenção Primária à Saúde, o desenvolvimento de políticas públicas saudáveis voltadas para as pessoas idosas e o paradigma da promoção da saúde orientando o Sistema Único de Saúde (SUS) têm contribuído para o envelhecimento ativo da população brasileira e com qualidade de vida.

Neste contexto, uma pergunta interessante seria, a biotecnologia poderia parar o envelhecimento?

A resposta pode ser sim, não ou algo intermediário, dependendo de quem está sendo perguntado e o que significa “parar” o envelhecimento. Para aqueles que estão em uma extremidade do espectro – os que buscam extensão de vida (incluindo alguns investidores do Vale do Silício) – a resposta é “sim”. Eles acreditam que a biotecnologia vai prolongar a vida humana. Mas para a maioria, a resposta é mais sutil e envolve um sonho de saúde estendida, em vez de imortalidade. Eles imaginam um futuro em que as pessoas com mais de 65 anos sejam saudáveis, ativas, independentes e não sobrecarregadas por doenças, e que isso seja a norma e não a exceção. “Healthspanners e Imortalistas”, acreditam na filosofia da longevidade, e, que um dia a ciência atrasará o aparecimento de doenças relacionadas ao envelhecimento e, como efeito colateral, estenderá modestamente a vida. O envelhecimento como o conhecemos – e o tememos – pode se tornar história antiga.

Quando se fala do Brasil, a população estimada na cidade de São Paulo, em 2016, era de 11,7 milhões de pessoas, sendo 14% dela composta por idosos de 60 anos ou mais. Houve um crescimento de 18% na população brasileira de pessoas com 60 anos ou mais, ultrapassando 30 milhões em 2017.

Nesse ínterim, a população brasileira também passa por uma transição do perfil epidemiológico, caracterizada pelo aumento das doenças crônicas, o que interfere diretamente na qualidade de vida da população idosa, uma vez que muitos apresentam múltiplas morbidades. Em São Paulo, em 2018, as doenças crônicas não transmissíveis foram responsáveis por 68% das causas de óbito, com destaque para doenças do aparelho circulatório (29%), neoplasias (18%), doenças do aparelho respiratório (14%) e causas externas (7%), atingindo todas as camadas socioeconômicas, principalmente os grupos mais vulneráveis, como os idosos e aqueles de baixa escolaridade e renda, devido à maior exposição aos fatores de risco e ao menor acesso às informações e aos serviços de saúde.

Uma doença a ser destacada no cenário atual, principalmente no curso da pandemia da COVID-19, e, que afeta ou afetará uma em cada cinco pessoas no mundo é a depressão. Esse transtorno mental atinge mais de 264 milhões de pessoas de todas as idades no mundo todo e, de acordo com dados de 2019 do IBGE, afeta cerca de 13,2% das pessoas idosas no Brasil.

Adicionalmente, estudo multicêntrico realizado em sete países da América Latina e Caribe para investigar a influência das doenças crônicas na capacidade funcional dos idosos demonstrou que a presença de hipertensão arterial sistêmica aumenta em 39% a chance de a pessoa idosa ser dependente nas atividades da vida diária e instrumentais da vida diária; a doença cardíaca aumenta em 82%; a artropatia em 59% e as doenças pulmonares em 50%. Em idosos dependentes, as doenças crônicas levam à perda da funcionalidade e são a principal causa de deficiências, limitações de atividades, restrições na participação comunitária e social, ou seja, de disfuncionalidade bem como de problemas emocionais.

O processo de envelhecimento muitas vezes pode estar associado às doenças crônicas que influenciam negativamente na longevidade e na qualidade de vida do idoso, culminando no declínio da capacidade funcional. Geralmente, quanto mais longeva é a pessoa, maiores são o número de doenças crônicas, sua dependência nas atividades da vida diária e seus problemas psicológicos. No entanto, é possível mitigar os problemas de saúde comuns nessa etapa da vida, por meio da assistência e dos cuidados, possibilitando ao idoso conviver com eventuais limitações ou doenças e preservando seu protagonismo e autonomia para uma perspectiva de vida pessoal e social saudável. Uma das estratégias utilizada para tal finalidade é a prática de exercício físico.

Por exemplo, uma perda substancial de massa e força muscular (sarcopenia), uma capacidade regenerativa diminuída e um desempenho físico comprometido são características do envelhecimento do músculo esquelético. Essas alterações são tipicamente acompanhadas por comprometimento do metabolismo muscular, incluindo disfunção mitocondrial e resistência à insulina. Um desafio no campo do envelhecimento muscular é dissociar os efeitos do envelhecimento cronológico per se nas características musculares da influência secundária do estilo de vida e dos processos patológicos. Notavelmente, a atividade física e o exercício são contramedidas bem estabelecidas contra o envelhecimento muscular e demonstraram atenuar as diminuições relacionadas à idade na massa muscular, força e capacidade regenerativa e retardar ou prevenir deficiências no metabolismo muscular. Assim, a prática de exercício e a atividade física podem influenciar muitas das alterações musculares durante o envelhecimento e, portanto, devem ser enfatizados como parte de um estilo de vida essencial para o envelhecimento saudável e para manter em bons níveis a capacidade funcional e o rendimento nas atividades de vida diária.

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