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Câncer & Atividade Física & Envelhecimento

Com o aumento da idade, o sistema imunológico passa por um processo de remodelação, denominado imunosenescência, que é acompanhado por um declínio na função imunológica. Clinicamente, a imunossenescência é caracterizada por aumento da suscetibilidade a infecções, diminuição da eficácia de vacinas e aumento da prevalência de câncer. O sistema imunológico tem algumas estratégias adaptativas para lidar bem com o processo de envelhecimento. Enquanto a falta de atividade física, a diminuição da massa muscular e o baixo estado nutricional facilitam a imunossenescência e a inflamação; o bom estilo de vida, como a prática de atividade física e hábitos alimentares, afetam positivamente o envelhecimento imunológico e podem colaborar na diminuição prevalência de câncer.

Por exemplo, no Brasil e no mundo, o câncer de mama é a primeira causa de morte em mulheres. Embora o fator de risco mais importante para o seu desenvolvimento seja a estimulação estrogênica, os fatores ambientais e o estilo de vida e o próprio processo de envelhecimento também contribuem para seu surgimento. Estudos epidemiológicos mostram uma relação direta entre atividade física, incidência e recorrência do câncer de mama. A prática de atividade física supervisionada é recomendada na maioria dos pacientes com câncer para melhorar sua qualidade de vida, reduzir os efeitos adversos do tratamento e, eventualmente, melhorar o prognóstico da doença.

O papel da prática de atividade física na prevenção e terapia do câncer tem sido cada vez mais reconhecido. Muitos pacientes sofrem com a piora da saúde mental e diminuição de desempenho físico e declínio na qualidade de vida – com fadiga, ansiedade e depressão como resultado direto de sua doença e terapia. Cada vez mais as evidências científicas demonstram os efeitos positivos da atividade física em pacientes com câncer. A dieta alimentar, a atividade física e a obesidade são fatores modificáveis ​​do estilo de vida e que estão associados com alguns tipos de câncer. A alta ingestão energética (alimentar) pode aumentar o risco de câncer de cólon-reto, próstata e mama. Existem evidências que mostram o papel da prática de atividade física na prevenção do câncer de cólon e mama bem como na redução do risco de câncer de endométrio, pulmão e próstata. Também há evidências de que a obesidade é um fator de risco para a incidência e mortalidade por câncer. As evidências apoiam fortes vínculos da obesidade com o risco de câncer de cólon, reto, mama, endométrio, rim e adenocarcinoma do esôfago. Além disso, estudos epidemiológicos também indicam que a obesidade está relacionada com câncer de pâncreas, fígado e vesícula biliar e de próstata. Ou seja, praticar atividade física de forma sistemática como forma de melhorar a composição corporal (relação massa gorda e magra) e prevenir a obesidade, pode colaborar a com a prevenção de diversos tipos de câncer e com a melhora da saúde física e mental e da qualidade de vida.

De forma geral, as evidências científicas sustentam que existem vários mecanismos biologicamente plausíveis, pelos quais a atividade física pode influenciar na diminuição do risco de câncer, e que a atividade física é benéfica para a prevenção de vários tipos de câncer, incluindo mama, cólon, endométrio, rim, bexiga, esôfago, próstata e estômago. Diminuir o tempo gasto com comportamentos sedentários (tempo nas telas, por exemplo) também pode diminuir o risco de câncer de endométrio, cólon e pulmão. Por outro lado, a atividade física está associada a um maior risco de melanoma, uma forma grave de câncer de pele, por conta da exposição solar crônica, dependendo do tipo de atividade física praticada bem como os horários praticados. Além disso, a atividade física antes e depois de um diagnóstico de câncer também é relevante para melhorar a sobrevida para os pacientes diagnosticados com câncer de mama e cólon.

Coletivamente, há evidências consistentes e convincentes de que a prática de atividade física desempenha um papel importante na prevenção de muitos tipos de câncer e na melhoria da longevidade entre os sobreviventes, embora as evidências relacionadas ao maior risco de melanoma demonstrem a importância de práticas seguras com relação à exposição solar crônica. Juntos, esses achados ressaltam a importância da atividade física na prevenção e controle do câncer. Profissionais da saúde, do esporte, da atividade física, da saúde pública e prestadores de cuidados de saúde em todo o mundo devem ser incentivados a espalhar a mensagem para a população, em geral, para que sobreviventes do câncer para sejam, na medida do possível, fisicamente ativos conforme sua idade, habilidades e aptidão física e status de saúde que a doença permitir.

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